Puro Rock n’ Roll!

•setembro 23, 2009 • Deixe um comentário
The Jupiter Deluxe (foto: www.photobymac.com)

The Jupiter Deluxe (www.photobymac.com)

Os puristas do rock n’ roll costumam dizer que “a música está perdida” nos dias atuais. Eu não sou um desses! Mas, se eu fosse, para mim a salvação seria The Jupiter Deluxe. Esse grupo originário do Brooklin, em Nova York, faz a sonoridade que todo fã do rock sujo e barulhento da década de 70 há muito sentia falta.

The Jupiter Deluxe EP

The Jupiter Deluxe EP

Logo no primeiro contato com o som da banda, já encontramos uma série de elementos familiares. O som é áspero e direto, mostrando possíveis influências tanto do rock dos anos 60 e 70, até mesmo o princípio do punk de Nova York. Em 2008 a banda lançou um EP, intitulado The Jupiter Deluxe EP, com cinco músicas que percorrem desde o pop-rock dos Beatles, até o rock 70’s do Cheap Trick e uma clara influência do princípio do punk de NY.

O álbum começa com Faceplant, que se desenvolve através de versos simples, para estourar em um refrão pegajoso e enérgico. A canção foi escolhida pela banda como “música de trabalho” e, até mesmo, foi gravado um vídeo-clipe. Diferentemente das outras músicas desse EP, a letra de Faceplant passa a idéia de tentar até conseguir conquistar algo, com o refrão dizendo “And it don’t make a difference if you fall on your face/Only if you finish what you once begun”.

Bachata Rosa, a segunda música do EP, tem um pé bastante fincado no rock alternativo. Com uma linha de guitarra que fica em um caminho entre Jet e Hellacopters. Ao ouvir esta música, lembro-me do comentário de Russell Hammond (personagem interpretado por Billy Crudup no filme Quase Famosos, de Cameron Crowe) de que rock n’ roll está em pequenos detalhes. Esse detalhe, nesta canção, são as vocalizações na introdução e no solo.

A banda gravou para o EP um cover de I Got a Woman, clássico de Ray Charles. Esta faixa é um blues rock de melhor qualidade com agressividade e muito feeling. A guitarra e o vocal se sobressaem nesta versão, que soa como uma banda tocando na garagem de casa e se divertindo muito.

Sleazy Thieves soa como a faixa mais atual da banda. A sonoridade relembra muito o rock alternativo do começo da década de 90, mas ainda assim com uma guitarra bastante influenciado pelo garage rock e o blues, tradicional da década de 70. A linha de baixo, simples, direta e forte, pode ser comparada com a força que o baixo de Krist Novoselic em In Bloom.

A banda encerra o EP com KoreaTown, um rock clássico, direto e ríspido. A letra é recheada de referências sexuais e passa exatamente o clima rock n’ roll de lidar com a vida, servindo como um fechamento perfeito para o disco.

Apresentações enérgicas são característica da banda. (Hilary McHone)

Apresentações enérgicas são característica da banda. (Hilary McHone)

Eu tive o prazer de ver uma apresentação da banda no clube Arlene’s Grocery e pude conferir uma banda extremamente enérgica no palco, executando com muita qualidade e força as músicas. Se você gosta do bom e velho Rock n’ Roll, The Jupiter Deluxe é uma pedida e tanto!

The Jupiter Deluxe
Mark Rinzel – vocal e baixo;
Colin Grubb – guitarra e vocal;
Tommy DeVito – bateria.

http://www.myspace.com/jupiterdeluxe
http://www.jupiterdeluxe.com

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Crescendo na Cidade do Pecado!

•setembro 16, 2009 • Deixe um comentário
O release da banda os define como Se Justin Timberlake fosse uma banda, seria The Higher (Divulgação).

O release da banda os define como "Se Justin Timberlake fosse uma banda, seria The Higher" (Divulgação).

Uma das bandas que mais chamou minha atenção nos últimos anos foi The Higher. Os motivos para tal são diversos, mas um deles em especial me deixou intrigado por muito tempo. O grupo, original de Las Vegas, surgiu tocando hardcore melódico com guitarras bem trabalhadas para o estilo. Contudo, com o passar do tempo, foi-se revelando uma grande influência de R&B no som da banda. As letras, que antes refletiam melancolia e incertezas de um grupo de adolescentes, começou a mostrar estes jovens crescendo e aproveitando os “prazeres do mundo”.

Meu primeiro contato com a banda foi bastante curioso. Em 2001 eu conheci uma banda chamada September Star, no finado MP3.com, e ouvi uma música deles no serviço de streaming. Eu gostei muito da música, tanto que salvei o link do streaming no meu computador assim, toda vez que quisesse ouvi-la, era só clicar e pronto, a música começava.

Star is Dead (2002)

Star is Dead EP

Eu fiquei, então, um tempo sem ouvir aquela música e, um dia qualquer, lembrei dela. Resolvi ouvir novamente e procurar informações sobre a tal banda. Só que, estava impossível de encontrar qualquer coisa sobre essa banda chamada September Star. Eu resolvi, então, tentar encontrar algo relacionado com o nome da música “One For Hope” e encontrei uma banda chamada The Higher. Descobri, então, que o grupo tinha mudado de nome e lançado um EP, com o irônico nome de The Star is Dead (2002).

HistrionicsOn Fire

Histrionics e On Fire

Em 2005, a banda lança seu primeiro álbum completo Histrionics que amplia a sonoridade de seu EP de estréia e, ainda mais, mostra um grupo mais maduro e um som mais trabalhado. Pessoalmente, este é meu álbum favorito da banda. A surpresa viria no trabalho seguinte, On Fire (2007), que marcou a transferência da banda para o selo Epitaph Records, do guitarrista do Bad Religion, Brett Gurewitz, assim como a mudança no som da banda.

A banda, então, passou por algumas crises internas que resultaram na saída de dois de seus membros fundadores. Tom Oakes, guitarrista, deixou a banda em 2008 anunciando questões pessoais e diferenças criativas. Contudo, a saída mais conturbada foi, certamente, do baterista Par Harter, em 2007, depois de longas discussões que acabaram chegando ao público com o “seqüestro” do perfil da banda no MySpace pelo, então, ex-baterista.

Its Only Natural (2009)

It's Only Natural

Sem dúvida alguma, todas essas mudanças serviriam de reflexo na vida dos integrantes e, lógico, na música da banda. E, dentro deste cenário, a banda lançou It’s Only Natural (2009), álbum em que contam a história do que aconteceu com a banda nos últimos anos. Este é, sem dúvida, o lançamento da banda mais “radio-friendly” e ao mesmo tempo, o álbum que mostra de forma mais ampla a grande gama de influência que compõe o som atual da banda. Além de contar com canções que passam por diversos estilos, o disco termina com um cover de Closer, do cantor de R&B Ne-Yo.

One For Hope (Star is Dead EP – 2002)

Esta pode ser considerada a primeira “música de trabalho” da banda. Ainda quando se chamava September Star, o grupo ganhou um concurso de bandas em Las Vegas e ganhou, como prêmio, a gravação deste vídeo. A música reflete bastante o som da banda no início da carreira.

Rock My Body (Histrionics – 2005)

Rock My Body foi a primeira música que a banda lançou após o EP. Em 2004 eles gravaram uma versão demo da música (conhecida como “Rock My Body 2k4”) e disponibilizaram para ouvir na internet. A música saiu “oficialmente” no álbum Histrionics (2005), e ganhou uma nova gravação no disco seguinte, On Fire (2007). A música aponta de forma bem sutil o que o som do The Higher se tornaria, pois mantém elementos de rock ainda ligados com uma pegada bastante pop. O vídeo abaixo foi montado pelo trombonista Buddy Schaub, da banda Less Than Jake.

Veja também a banda tocando Rock My Body ao vivo.

Pace Yourself (Histrionics – 2005)

Esta música encerra o álbum Histrionics e tornou-se um hino para os fãs da banda. Pace Yourself também é usada como encerramento dos shows da banda e ganhou um remix, feito por Patrick Stump, guitarrista e vocalista do Fall Out Boy, que foi lançado no álbum On Fire (2007). A versão original da música consiste em uma violão e voz em downtempo que, em seguida, é acompanhado por uma bateria eletrônica. Quando tocada ao vivo, a banda costuma emendar uma pequena Jam, em que Seth Trotter (vocal) agradece ao público e se despede.

A melhor gravação ao vivo desta música, infelizmente, não foi disponibilizada para embedding, mas você pode vê-la aqui.

Veja outra boa gravação abaixo.

Nice & Slow (Ao Vivo – 2006)

Mostrando suas fortes influências de R&B, a banda costuma fazer versões de canções do estilo em seus shows. Nice & Slow, do cantor Usher, é uma das mais tradicionais.

Insurance? (On Fire – 2007)

A música de abertura do álbum On Fire (2007) marca claramente o novo estilo da banda. Alternando entre um pop dançante na introdução e nos versos e guitarras distorcidas e um “feel” rock que relembra os trabalhos anteriores da banda, a faixa mostra exatamente o que o ouvinte deve esperar da banda. A letra é um “ode” a Las Vegas, a cidade natal da banda, falando sobre curtir a noite da cidade. As referências a Las Vegas se tornaram parte das músicas do grupo, como também podemos ver em Undertaker (It’s Only Natural – 2009). O vídeo retrata exatamente o feeling de Las Vegas, mostrando a banda curtindo uma noite na cidade.

DARE (On Fire – 2007)

O segundo clipe retirado do álbum On Fire, uma música que foge bastante do lado rock da banda.

It’s Only Natural (It’s Only Natural – 2009)

Primeira música de trabalho do novo álbum da banda é uma música bastante dançante e, também, uma das mais pop do novo álbum. Ela representa bastante o som da banda atualmente e possui um ótimo solo de guitarra que serve para lembrar que as raízes da banda também estão bem fortes no rock. A letra fala sobre um jogo de atração entre duas pessoas.

É interessante perceber a evolução das músicas ao passar dos álbuns. O site Las Vegas Weekly, ao falar da banda reforça a idéia de como o tempo agiu no som e na vida da banda.

A few years can make a big difference and no one knows that better than the Higher. Just one year ago the group were despondent: they were unsure about their line-up and didn’t feel like the music they were playing fully represented their eclectic tastes. However, instead of calling it quits the band decided to take fate into their own hands and change all of that. “We’ve always been fans of R&B and pop and I think as we got older we appreciate it more,” says guitarist Tom about the band’s motivation to incorporate more of those elements into their music. “We just can’t wait for people to hear this album.”

É interessante perceber essa evolução na qualidade do trabalho da banda, tanto em questão de produção como de composição. Outro destaque do grupo atualmente é a voz de Seth Trotter, a cada álbum, ele demonstra que está cantando melhor e tenta melodias diferentes. A produção dos últimos dois álbums (a cargo de Mike Green) é impecável, com sons bastante precisos e muito bem equalizados.

The Higher o exemplo de uma banda que soube mudar de som, sem perder personalidade. E é algo que eu admiro tanto na banda, que soube se reinventar, fazendo música de qualidade e aproveitando a vida, como boas crias da Sin City.

http://www.myspace.com/thehigher

Pura diversão!

•setembro 9, 2009 • Deixe um comentário
Tinted Windows (Divulgação)

Tinted Windows (Divulgação)

Eu sempre acho interessante quando integrantes de uma banda decidem realizar algum projeto paralelo ou mesmo gravar um álbum solo. A idéia do artista se afastar do que está fazendo constantemente e expressar sua criatividade de uma forma diferente sempre contribui para o próximo trabalho de sua banda ficar mais rico. Outro motivo que me interessa bastante em “trabalhos paralelos” é a oportunidade de ver um artista pelo qual me interesso trabalhar com pessoas diferentes e mostrar outros lados de seu trabalho.

Este é o caso de Tinted Windows, um “supergrupo” que reúne músico de diferentes bandas, fazendo fazer um pop-rock bastante descompromissado. O mais curioso da banda são os integrantes que a compõe: Taylor Hanson (vocais), James Iha (guitarra), Adam Schlesinger (baixo) e Bun E. Carlos (bateria).

Se você passou a década de 90 com os olhos grudados na MTV, como eu, então ao menos dois desses nomes chamou sua atenção. Taylor Hanson, tecladista e vocalista (e “irmão do meio”) da banda de teen pop Hanson; e James Iha, o caladão ex-guitarrista dos Smashing Pumpkins. A banda ainda é completa por Adam, da banda de power-pop Fountains of Waine e Bun E. Carlos, baterista do Cheap Trick.

A banda se formou com base em duas colaborações: Taylor e Adam se conheceram durante a década de 90 e se tornaram amigos. Sempre que se encontravam eles comentavam que gostariam de “fazer algo juntos”. Por outro lado, James e Adam já colaboravam em diversos projetos por anos, desde que suas bandas fizeram uma turnê juntas.

Os três começaram a conversar sobre a idéia de gravar músicas que misturasse a voz de Taylor com guitarras, em um espírito rock n’ roll. Entre os diversos nomes de influências para o som da banda, surgiu Cheap Trick e, então, veio a idéia de convidar o Bun E. Carlos para assumir a bateria.

James, Taylor, Adam e Bun. (Divulgação)

James, Taylor, Adam e Bun. (Divulgação)

Uma das características mais interessantes da banda é, exatamente, ver os músicos em mundos diferentes daqueles em que estamos acostumados. A voz de Hanson se encaixou perfeitamente nas músicas, da mesma forma que Iha mostra um lado completamente diferente daqueles que estamos acostumados. Tudo isso, envolto por uma atmosfera do mais sincero pop-rock da década de 70, pontuada perfeitamente por quem faz isso desde então, a bateria de Carlos.

As letras são muito simples e dialogam de forma perfeita com o descomprometimento que o som da banda reflete. Garotas, amor e relacionamento são os temas abordados nas músicas, sempre contando com refrões chiclete que vão fazê-lo querer, imediatamente, cantar junto com eles. Em abril, eles lançaram um álbum bastante enérgico e que, apesar de combinar elementos de cada um dos integrantes, soa diferente do que eles já fizeram.

Álbum de estréia da banda.

Álbum de estréia da banda.

Eles estrearam com um show no festival South by Southwest (SxSW) que acontece anualmente em Austin, Texas. Para, no mês seguinte, lançar seu álbum homônimo nos EUA. Confira algumas músicas do álbum e da apresentação que a banda realizou no SxSW.

Kind of Girl – a primeira canção de trabalho da banda, com versos que ficam na cabeça. Não se surpreenda se, após ouví-la, você sair cantando “woah-woah”.

Messing with my Head – esta música tem um bom refrão, no qual Taylor mostra sua voz, junto aos backing vocals de Adam. A música foi lançada como segundo single da banda.

Dead Serious – na minha opinião, a melhor música do álbum, ela pode ser considerada uma balada, pelo tempo mais devagar e o tom um pouco mais suave. A guitarra de Iha faz um tema interessante ao longo do refrão, dialogando de uma forma interessante com a voz de Taylor.

Tinted Windows não é uma banda que vai mudar o mundo, nem ao menos ser uma marca permanente no mundo do pop. Como bem definiu Jon Chattman, na introdução da entrevista que fez com Taylor Hanson para o jornal The Huffington Post:

Imagine if Chewbacca left the Millennium Falcon on good terms in favor of hanging on the Enterprise with Cpt. Kirk. Sure, the Wookiee would have a blast and would likely lead the Starship to great things, but ultimately, one would sense he’d miss his pal Han Solo and head back home. That’s sort of what happened to Taylor Hanson. Far-fetched, non-sensical intro aside, the musician has had an awesome run of late fronting pop rock supergoup Tinted Windows but this fall he’s rejoining his brothers Zac and Isaac for a new Hanson tour (a new album’s on the way).

Além de ter a interessante referência a Star Wars no comentário, uma coisa que me atraiu no texto foi exatamente a idéia de que a banda é para ser algo temporário, nada de excepcional (não vai conquistar grandes feitos), mas com certeza, vai divertir e empolgar. E é exatamente isso que eles apresentam: um álbum agradável de se ouvir, ideal como trilha sonora para uma festa de um filme adolescente.

http://www.myspace.com/tintedwindows
http://www.tintedwindowsmusic.com/

Entre a concepção e o funeral…

•setembro 2, 2009 • Deixe um comentário
Ben Kenney, tocando com o Incubus. (http://www.myspace.com/benkenney)

Ben Kenney, tocando com o Incubus. (© Brantey Futierrez, http://www.myspace.com/benkenney)

Costumo sempre procurar a razão pela qual algo aconteça. Uma explicação para algum fenômeno específico. Recentemente, me peguei pensando em um artista por quem tenho grande admiração: Ben Kenney.

Ele ganhou reconhecimento na função de baixista do Incubus (como você, que chegou aqui já pôde descobrir que é minha banda favorita), que exerce desde 2003. A notoriedade de Ben no meio musical, contudo, começou antes do Incubus. Antes de se juntar à banda Californiana, ele atuava como guitarrista de turnê da banda de hip-hop The Roots.

Para começar, é importante notar que Ben é um instrumentista extremamente habilidoso. Além do baixo e da guitarra, Ben também toca bateria e, durante a turnê de divulgação do álbum A Crow Left of the Murder... (2004) do Incubus, Ben, José Pasillas (baterista) e Brandon Boyd (vocalista e percussionista) realizavam um solo triplo de bateria e percussão.

A capacidade de improvisação do Ben também é algo que me chama muita atenção. Linhas de baixo acabam se tornando verdadeiras frases e passam a complementar as músicas do Incubus. Um caso bastante interessante é a canção Stellar (do álbum Make Yourself, de 1999).

Além de seu trabalho com o Incubus, a partir de 2004, Ben lançou três álbuns solo (no sentido mais literal da palavra). Além de gravar todos os instrumentos, ele produz e os lança em seu selo Getto Crush Industries. Os álbuns são 26 (2004), Maduro (2006) e Distance And Comfort (2008), estes são alguns destaques:

Capa do primeiro álbum solo do artista. (Divulgação)

26 (2004). Divulgação

26 (2004)
Breathe – um ótimo solo de guitarra acompanha esta letra que fala sobre a criação de uma co-dependência em um relacionamento e a falta que isso faz para uma das partes, depois que o “cordão é cortado”.

Hoopdie – “hoopdie” é uma expressão em inglês que equivale à “lata-velha”, em português. Ben usa dessa metáfora para falar sobre lidar com dificuldades de uma forma geral em nossas vidas. A música tem uma batida alegre, parecendo até irônica, quando ele fala frases como: “My whole world is held together with duct tape/all seems fine but deep inside i’m gasping for air”.

Maduro (2006). Divulgação

Maduro (2006). Divulgação

Maduro (2006)
Wrong – a primeira música do álbum é bastante enérgica e contesta atitudes de “sabe-tudo” de muitas pessoas. Além de contar com um ótimo riff, com guitarras dobradas, a canção possui uma letra recheada de ironias, como a (épica) frase “with out all due respect, theres a 3-headed monster that’s eating your children alive!”.

Conception and the Funeral – uma linha de baixo forte, com viradas e licks criam a base para uma guitarra leve e simples. A letra trata de expectativas de toda uma vida, “I’ve always dreamt of something beautiful/Between conception and the funeral/and now/I’ll wait if that’s where I’ll find it”.

The Ether – a música começa em uma levada bastante acelerada e apresenta uma pessoa que deve lidar com as conseqüências que seus atos teve a outros. Uma parte que me marca bastante é quando ele se dá conta de que pode fazer o mal a alguém: “I’ve had some room to breathe and time to understand/I can’t hold your fragile heart when I have clumsy hands”.

Distance and Comfort (2008). Divulgação

Distance and Comfort (2008). Divulgação

Distance and Comfort (2008)
Not Today – mais uma vez, ele começa o álbum com bastante força. Além de apresentar um bom riff dobrando a guitarra e o baixo, a música tem um ótimo solo, no qual Ben dobra duas guitarras (algo que ele usou bastante neste álbum). A letra, aparentemente, fala sobre uma tomada de posição dentro de um relacionamento.

Comfort – esta música possui diversas camadas sonoras, sendo diferentes sons de guitarras, teclados ou mesmo vozes, sobre uma batida em slow tempo, que constroem um clima de conforto (como o próprio nome já diz) e lideram o final do álbum de uma forma bastante natural. A letra fala do que é ter a pessoa amada e como Ben afirma não querer perder esse conforto de forma alguma.

Eulogy – o que mais me chama atenção nesta música são as levadas de bateria que Ben faz. Ela também tem um belo solo de guitarra no qual, ao invés de explorar velocidade, Ben cria um suposto diálogo entre “duas guitarras” usando delay (efeito de repetição da nota, para os leigos). A letra parece uma declaração a alguém, em que ele fala que “Know you’ve always held my heart/Even if we’re torn apart”, acrescentando que ele quer ser lembrado como uma pessoa insubstituível.

Ben gravou um vídeo em que ele toca bateria, baixo, guitarra e canta Eulogy, para divulgar a turnê que ele fez em 2008.

Ao pensar o porquê de gostar muito das músicas do Ben Kenney, retomando o comentário do início do post, eu esbarrei em duas questões principais. Uma, sem dúvida alguma, é o talento e a qualidade técnica que ele apresenta. Mas, isso não seria o suficiente para fazer com que ele prduzisse tanto material e com tamanha qualidade. Mas, procurando um pouco mais sobre quem é Ben Kenney, descobre-se que ele é uma pessoa simples e pouco expansiva (muitos fãs de Incubus já comentaram que ele não gosta de tirar fotos e que, apesar de ser extremamente simpático com os fãs, parece ser muito tímido). Dessa forma, a música para ser o “porto seguro” dele, o lugar em que ele se encontra confortável.

O outro grande trunfo de seu trabalho solo, pelo que vejo, é que ele totalmente desprendido de qualquer coisa. Ben define seu trabalho da seguinte forma:

When time permits I record my own music. I try to make records that I would love to own if they were made by someone else. I hope you dig it.

Ao meu ver, a combinação do grande músico que é Ben Kenney, com essa simples filosofia de fazer uma música que ele goste (que é também o que o próprio Incubus segue, ao fazer seus álbuns) resulta num trabalho bastante sincero e, lógico, de alta qualidade. Talvez, seja essa a beleza que Ben procura “entre a concepção e o funeral”, o que faça sentido em sua vida.

http://www.myspace.com/benkenney
http://www.benkenney.com/

Um conto-de-fadas no mundo do Pop

•agosto 31, 2009 • Deixe um comentário
Taylor Swift em NY, 27/08/2009. (http://www.taylorswiftfans.com.br/)

Taylor Swift em NY, 27/08/2009. (http://www.taylorswiftfans.com.br/)

“Eu lembrarei desta noite por toda a minha vida. Eu nunca vou esquecer do que vocês acabaram de fazer para mim!”, diz Taylor Swift, quase sem acreditar que, nos dois minutos anteriores, 20 mil pessoas gritavam por ela no Madison Square Garden lotado.

Com 19 anos, Taylor está no topo do mundo. Conquistou os Estados Unidos com uma combinação de talento, simpatia e a busca incansável por realizar seus sonhos.  Acumulando recordes, prêmios e elogios por onde passa, sua vida se transforma em um conto-de-fadas.

Eu conheci o som da Taylor no começo deste ano, ao ver um programa da televisão CMT (Country Music Television) chamado Crossroads, em que artistas country convidam bandas ou cantores de outros estilos para dividirem o palco. Taylor escolheu o Def Leppard, uma de suas bandas favoritas. O interessante foi perceber a força de suas músicas e qualidade das composições.

Ela já tem dois álbuns: Taylor Swift (2006) e Fearless (2008) e vendeu milhões de cópias de ambos.

O que eu acho mais interessante de ressaltar na Taylor é sua sinceridade e talento, que tem arrancado elogios de diversas pessoas do mundo da música. Nomes como Katy Perry, Phill Collen e Joe Elliot do Def Leppard e John Mayer são apenas alguns de uma longa lista.

Capa do álbum de estréia da cantora.

Capa do álbum de estréia da cantora.

As músicas do primeiro álbum da Taylor refletem uma garota adolescente, falando sobre garotos, desilusões, dúvidas e dores. Alguns destaques do álbum:

Tim McGraw – o primeiro single da cantora. Taylor escreveu a música sobre um namorado que se mudou e como e como uma música do cantor country Tim McGraw.

Teardrops on my Guitar – esta música Taylor escreveu para um amigo chamado Drew, por quem ela era apaixonada.

A Place in this World – ela escreveu a música com 13 anos e trata sobre sua busca por fazer música e transformar sua paixão na sua vida.

Should’ve Said No – um música sobre um namorado que a traiu.

Tied Together with a Smile – mostra o sofrimento de muitas garotas com problemas como bulimia e anorexia. Taylor diz que essa música foi baseada na vida de algumas amigas e suas lutas pessoais.

Segundo álbum da cantora.

Segundo álbum da cantora.

No segundo álbum já encontramos composições um pouco diferentes. Um álbum mais voltado para o pop, mas ainda assim usando os elementos do country, ele lida com assuntos menos específicos, em sua maioria. Taylor afirma que o nome do álbum Fearless foi para ela não significa “não ter medo” mas, na realidade, é encarar e superar seus medos.

White Horse – esta música se baseia na idéia de que o romance acabou é representado como o choque de realidade, o fim do conto-de-fadas.

Forever & Always – a música é sobre o relacionamento que Taylor teve com Joe Jonas (da banda Jonas Brothers). Retrata o momento em que ela começa a ver o relacionamento acabar e não consegue entender o porquê.

Change – a música fala sobre as dificuldades de estar em uma gravadora pequena. A letra possui uma mensagem bastante positiva, na qual ela afirma que “as coisas irão mudar”. A letra tornou-se abrangente, abarcando bastante o sentimento de mudança da população norte-americana em relação à crise econômica e a esperança de que as pessoas têm o poder para mudar o que está acontecendo.

Fearless – a canção que dá titulo ao álbum fala sobre o destemor de apaixonar-se.

Em 2009, Taylor saiu em sua primeira turnê como headliner. A Fearless Tour tem feito apresentações lotadas pelos Estados Unidos. O show foi inteiramente concebido pela Taylor e demonstra mais uma vez o talento da jovem cantora. Durante duas horas, ela produz um espetáculo que beira a perfeição. Além de toda qualidade de suas músicas, Taylor produziu vídeos e pensou em todos os aspectos da apresentação, com iluminação, dançarinos e sua banda.

Eu acompanhei o show do Madison Square Garden e fiquei impressionado. Fui com minhas expectativas muito altas, pois já havia ouvido muitos elogios em relação ao show da Taylor, mas não fazia idéia do que estavam falando. O profissionalismo de Taylor me impressionou.

Ela consegue aliar um show extremamente complexo, no qual usa diversos elementos (efeitos de iluminação, dançarinos, atuações, vídeos, trocas de figurino), com a proximidade de uma apresentação íntima. Como um exemplo, em um determinado momento do show, Taylor surge no meio da platéia e canta algumas músicas extremamente próxima de seus fãs. E o que mais impressionou é que, na hora de voltar ao palco, ao invés de apresentar um outro vídeo e sair pelos bastidores, a banda segue tocando uma improvisação e ela vai, pelo meio dos fãs, parando para abraçá-los, retribuir todo o carinho que eles dão a ela.

E, com isso, voltamos para o começo do post. Aqueles dois minutos, em que uma boquiaberta e extremamente feliz Taylor Swift assistia a 20 mil pessoas gritarem e aplaudirem é uma pura recompensa de todo o trabalho, talento e simpatia que ela apresenta a seus fãs. Mais que merecido, diga-se de passagem.

http://www.taylorswift.com

http://www.myspace.com/taylorswift

Todo blog tem um motivo!

•agosto 29, 2009 • Deixe um comentário

Os motivos para se começar um blog são sempre extremamente pessoais. Um leitor que não me conheça pode perguntar: “mas por que um blog sobre música? Não é lugar comum?”. Essa é uma pergunta que eu sempre fiz para mim… por que música?

Este post introdutório servirá exatamente para isso. Desvendar as razões que me levam a começar este blog. Já faz mais de quatro anos que eu “ensaio” começar este blog e, recentemente tudo se tornou um pouco mais palpável e com maior probabilidade de acontecer.

A música sempre esteve presente na minha vida. Desde pequeno, meus aparelhos favoritos eram a vitrola e o toca-fitas. Com apenas três anos já sabia operá-los com destreza. Mas houve um momento em que a música entrou com maior força na minha vida e realmente transformou o mundo para mim.

O ano era 1988. Eu estava na casa da minha avó, sentado em frente à televisão assistindo a um programa de vídeo-clipes (vou ser sincero que não lembro ao certo qual, mas imagino que era o Clip Trip, da Gazeta) e surge, então um homem com cabelo comprido, uma cartola e uma guitarra laranja. Mal imaginava que aquele momento seria um divisor de águas para mim.

Sweet Child O’ Mine e Saul “Slash” Hudson, esses foram os nomes que marcaram esse importante momento da minha vida. A música, então, se tornou uma parte essencial da minha vida, representando o que eu sou, o que eu penso e o que eu sinto! Em muitos momentos da minha vida, a musica serviu como companheira e amiga. E eu descobri que existe, realmente, um sentimento de amor pela música.

Curiosamente, 20 anos depois do episódio que me definiu como amante da música, eu tive a realização do que isso significa para mim. Em junho de 2008, no show da cantora britânica Joss Stone. Ao introduzir a canção Music ela falou que essa canção era muito importante para ela, pois tratava desse amor que ela tinha pela música. E que esse amor é muito puro e verdadeiro, porque ela sabia que podia contar com ela (a música) quando ela precisasse e que a música nunca a machucaria.

Então, lembrei-me de todos os momentos em que a música me ajudou e me fez companhia durante toda minha vida. Quando eu recorria ao These Days, durante noites em claro questionando sobre o que eu acreditava. Ou, quando, as melhores palavras de consolo que ouvi quando perdi meu avô foram de Scenes from a Memory. Também, quando eu estou na expectativa de sair com uma pessoa que tem tudo para se tornar especial, So Impossible vem a minha mente.

A música sempre esteve na minha vida e sempre foi muito importante para mim. Se isso já não é motivo suficiente para eu escrever sobre música e os artistas que entram em minha vida. Então, nada é!

Então, espero que você, leitor, aproveite esta jornada pelo meu mundo. Por mais doentio que ele possa ser, garanto que você aproveitará! E muito!

Rock on!

 
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