A arte de contar histórias

A formação atual da banda com Mike Marsh (bateria), Chris Carrabba (guitarra e vocal), Scott Schoenbeck (baixo) e John Lefler (guitarra).

A formação atual da banda com Mike Marsh (bateria), Chris Carrabba (guitarra e vocal), Scott Schoenbeck (baixo) e John Lefler (guitarra), em foto de 2006. (Divulgação)

Álbuns conceituais são aqueles cujas canções são unificadas por um tema. Na minha cabeça, surgem trabalhos como Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, do Dream Theater, The Dark Side of the Moon e The Wall, do Pink Floyd, Seventh Son of a Seventh Son, do Iron, ou mesmo Mellon Collie and the Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins.

Pessoalmente, gosto muito de álbuns conceituais e da idéia de contar uma história, seja ela através de uma narrativa (como é o caso de Metropolis Pt. 2, The Wall e Seventh Son, dentre os citados acima) ou um conceito geral (Mellon Collie e Dark Side of the Moon). E isso é o que me atrai no breve, porém ótimo So Impossible EP, do Dashboard Confessional.

O grupo começou como um grupo acústico, liderado por Chris Carrabba (na época vocalista do Further Seems Forever), e acabou se tornando uma banda completa. So Impossible EP foi o terceiro lançamento do grupo e, através de quatro músicas, conta a história de um “date” em que o protagonista é mostrado desde sua preparação até o encontro em si.

So Impossible EP (2001)

So Impossible EP

Em apenas 14 minutos, a banda consegue mostrar diversos aspectos desse acontecimento de uma forma bem próxima ao protagonista e, especialmente, transmitindo bastante emoção. Um dos grandes trunfos de Chris Carrabba foi, exatamente, saber representar tão fortemente emoções e sentimentos através de suas músicas. E a simplicidade musical de So Impossible possibilita que as letras se destaquem ainda mais e tomem conta de todo o clima do EP.

A história começa com o protagonista desejando uma garota, pensando em como impressioná-la e fazer com que ela o note. Com apenas três breves estrofes, For You to Notice… é construída de uma forma bastante simples e Chris é direto ao cantar: “But for now I’ll look so longingly waiting/for you to want me/for you to need me/for you to notice me”.

O clima de flerte e romance é descrito em So Impossible, a canção título do EP e segunda parte desta história. A música começa com a garota mostrando que quer conhecê-lo melhor e sugere “agitar um encontro” entre dois amigos deles em uma festa. Acho muito interessante o Chris representar nas canções esse clima, com a garota inventando uma desculpa para encontrar com o garoto. O rapaz então responde, dizendo que espera que os amigos deles “se entendam” e que também quer conhecê-la melhor: “and maybe my friend/and your friend/will hit it off/or maybe we will!”.

Chega o grande dia e eles se preparam para a tão esperada festa. Remember to Breathe é o momento que antecede a explosão. Com todas as borboletas no estômago e nervosismos expressos. A expectativa de encontrar aquela pessoa que pode ser “the one”. A ansiedade adolescente que muitas vezes experimentamos quando estamos apaixonados é muito bem representada na hora em que fala: “I’m starting to panic/(Wait, wait)/Remember she asked you/Remember to breathe/And everything will be okay”. O mais interessante do desfecho dessa música (esses versos que acabei de apresentar) é que conseguimos até mesmo imaginar o rapaz se preparando e começando a surtar. Até que ele fala, para si mesmo, “calma, calma”.

“This is a song about the Best Day that I’ve ever had”. É dessa forma que Chris Carrabba costuma introduzir Hands Down, o desfecho desta história. Hands Down é uma expressão da língua inglesa que significa “sem dúvida” e é usada no contexto de que ele nunca esquecerá o dia maravilhoso que ele teve com a garota (“Hands down this is the best day I can ever remember”). Toda a excitação e expectativas que eles construíram durante o período anterior explodem em animação e muitas memórias: “My hopes are so high that your kiss might kill me/So won’t you kill me, so I die happy”.

Hands Down tornou-se uma das mais famosas (e, em grande parte, “fan-favorite”) da banda. Há três versões da música: esta que conta apenas com voz e violão; a versão do MTV Unplugged 2.0 (2002) que, mesmo ainda sendo acústica, conta com a banda completa; e uma versão “plugada”, que foi lançado no álbum A Mark, A Mission, A Brand, A Scar (2003), no qual a banda adota instrumentos elétricos e apresentam uma leve mudança no som.

Esta é uma das versões que eu mais gosto desta música, tocada no programa Live from Abbey Road, com a banda toda em versão elétrica. É interessante, também, ver os comentários do Chris sobre a música, antes da apresentação.

O EP conta com a participação de Dan Hoerner, da banda Sunny Day Real Estate, e foi gravado com apenas violão, voz e um eventual piano em Remember to Breathe.

A qualidade deste EP não se encontra na complexidade da narrativa, nem mesmo pela qualidade musical. Pelo contrário, a sonoridade simples e, de certo modo, mínima faz dele muito bom. Comparando com outros álbuns conceituais, So Impossible pode parecer pequeno, mas a qualidade encontra-se, exatamente, na forma como Chris escolheu representar este momento tão importante e que, certamente, tanta gente consegue se identificar. Este EP é intenso e descomplicado, assim como uma paixão devastadora deve ser.

~ por Fábio Gianesi em outubro 9, 2009.

Uma resposta to “A arte de contar histórias”

  1. […] Eles já haviam demonstrado isso em todos seus álbuns (como podemos lembrar na análise do So Impossible EP que fiz aqui mesmo no blog). Mas, fica-se a dúvida, se pegarmos uma música que já existe no seu […]

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