Crescendo na Cidade do Pecado!

O release da banda os define como Se Justin Timberlake fosse uma banda, seria The Higher (Divulgação).

O release da banda os define como "Se Justin Timberlake fosse uma banda, seria The Higher" (Divulgação).

Uma das bandas que mais chamou minha atenção nos últimos anos foi The Higher. Os motivos para tal são diversos, mas um deles em especial me deixou intrigado por muito tempo. O grupo, original de Las Vegas, surgiu tocando hardcore melódico com guitarras bem trabalhadas para o estilo. Contudo, com o passar do tempo, foi-se revelando uma grande influência de R&B no som da banda. As letras, que antes refletiam melancolia e incertezas de um grupo de adolescentes, começou a mostrar estes jovens crescendo e aproveitando os “prazeres do mundo”.

Meu primeiro contato com a banda foi bastante curioso. Em 2001 eu conheci uma banda chamada September Star, no finado MP3.com, e ouvi uma música deles no serviço de streaming. Eu gostei muito da música, tanto que salvei o link do streaming no meu computador assim, toda vez que quisesse ouvi-la, era só clicar e pronto, a música começava.

Star is Dead (2002)

Star is Dead EP

Eu fiquei, então, um tempo sem ouvir aquela música e, um dia qualquer, lembrei dela. Resolvi ouvir novamente e procurar informações sobre a tal banda. Só que, estava impossível de encontrar qualquer coisa sobre essa banda chamada September Star. Eu resolvi, então, tentar encontrar algo relacionado com o nome da música “One For Hope” e encontrei uma banda chamada The Higher. Descobri, então, que o grupo tinha mudado de nome e lançado um EP, com o irônico nome de The Star is Dead (2002).

HistrionicsOn Fire

Histrionics e On Fire

Em 2005, a banda lança seu primeiro álbum completo Histrionics que amplia a sonoridade de seu EP de estréia e, ainda mais, mostra um grupo mais maduro e um som mais trabalhado. Pessoalmente, este é meu álbum favorito da banda. A surpresa viria no trabalho seguinte, On Fire (2007), que marcou a transferência da banda para o selo Epitaph Records, do guitarrista do Bad Religion, Brett Gurewitz, assim como a mudança no som da banda.

A banda, então, passou por algumas crises internas que resultaram na saída de dois de seus membros fundadores. Tom Oakes, guitarrista, deixou a banda em 2008 anunciando questões pessoais e diferenças criativas. Contudo, a saída mais conturbada foi, certamente, do baterista Par Harter, em 2007, depois de longas discussões que acabaram chegando ao público com o “seqüestro” do perfil da banda no MySpace pelo, então, ex-baterista.

Its Only Natural (2009)

It's Only Natural

Sem dúvida alguma, todas essas mudanças serviriam de reflexo na vida dos integrantes e, lógico, na música da banda. E, dentro deste cenário, a banda lançou It’s Only Natural (2009), álbum em que contam a história do que aconteceu com a banda nos últimos anos. Este é, sem dúvida, o lançamento da banda mais “radio-friendly” e ao mesmo tempo, o álbum que mostra de forma mais ampla a grande gama de influência que compõe o som atual da banda. Além de contar com canções que passam por diversos estilos, o disco termina com um cover de Closer, do cantor de R&B Ne-Yo.

One For Hope (Star is Dead EP – 2002)

Esta pode ser considerada a primeira “música de trabalho” da banda. Ainda quando se chamava September Star, o grupo ganhou um concurso de bandas em Las Vegas e ganhou, como prêmio, a gravação deste vídeo. A música reflete bastante o som da banda no início da carreira.

Rock My Body (Histrionics – 2005)

Rock My Body foi a primeira música que a banda lançou após o EP. Em 2004 eles gravaram uma versão demo da música (conhecida como “Rock My Body 2k4”) e disponibilizaram para ouvir na internet. A música saiu “oficialmente” no álbum Histrionics (2005), e ganhou uma nova gravação no disco seguinte, On Fire (2007). A música aponta de forma bem sutil o que o som do The Higher se tornaria, pois mantém elementos de rock ainda ligados com uma pegada bastante pop. O vídeo abaixo foi montado pelo trombonista Buddy Schaub, da banda Less Than Jake.

Veja também a banda tocando Rock My Body ao vivo.

Pace Yourself (Histrionics – 2005)

Esta música encerra o álbum Histrionics e tornou-se um hino para os fãs da banda. Pace Yourself também é usada como encerramento dos shows da banda e ganhou um remix, feito por Patrick Stump, guitarrista e vocalista do Fall Out Boy, que foi lançado no álbum On Fire (2007). A versão original da música consiste em uma violão e voz em downtempo que, em seguida, é acompanhado por uma bateria eletrônica. Quando tocada ao vivo, a banda costuma emendar uma pequena Jam, em que Seth Trotter (vocal) agradece ao público e se despede.

A melhor gravação ao vivo desta música, infelizmente, não foi disponibilizada para embedding, mas você pode vê-la aqui.

Veja outra boa gravação abaixo.

Nice & Slow (Ao Vivo – 2006)

Mostrando suas fortes influências de R&B, a banda costuma fazer versões de canções do estilo em seus shows. Nice & Slow, do cantor Usher, é uma das mais tradicionais.

Insurance? (On Fire – 2007)

A música de abertura do álbum On Fire (2007) marca claramente o novo estilo da banda. Alternando entre um pop dançante na introdução e nos versos e guitarras distorcidas e um “feel” rock que relembra os trabalhos anteriores da banda, a faixa mostra exatamente o que o ouvinte deve esperar da banda. A letra é um “ode” a Las Vegas, a cidade natal da banda, falando sobre curtir a noite da cidade. As referências a Las Vegas se tornaram parte das músicas do grupo, como também podemos ver em Undertaker (It’s Only Natural – 2009). O vídeo retrata exatamente o feeling de Las Vegas, mostrando a banda curtindo uma noite na cidade.

DARE (On Fire – 2007)

O segundo clipe retirado do álbum On Fire, uma música que foge bastante do lado rock da banda.

It’s Only Natural (It’s Only Natural – 2009)

Primeira música de trabalho do novo álbum da banda é uma música bastante dançante e, também, uma das mais pop do novo álbum. Ela representa bastante o som da banda atualmente e possui um ótimo solo de guitarra que serve para lembrar que as raízes da banda também estão bem fortes no rock. A letra fala sobre um jogo de atração entre duas pessoas.

É interessante perceber a evolução das músicas ao passar dos álbuns. O site Las Vegas Weekly, ao falar da banda reforça a idéia de como o tempo agiu no som e na vida da banda.

A few years can make a big difference and no one knows that better than the Higher. Just one year ago the group were despondent: they were unsure about their line-up and didn’t feel like the music they were playing fully represented their eclectic tastes. However, instead of calling it quits the band decided to take fate into their own hands and change all of that. “We’ve always been fans of R&B and pop and I think as we got older we appreciate it more,” says guitarist Tom about the band’s motivation to incorporate more of those elements into their music. “We just can’t wait for people to hear this album.”

É interessante perceber essa evolução na qualidade do trabalho da banda, tanto em questão de produção como de composição. Outro destaque do grupo atualmente é a voz de Seth Trotter, a cada álbum, ele demonstra que está cantando melhor e tenta melodias diferentes. A produção dos últimos dois álbums (a cargo de Mike Green) é impecável, com sons bastante precisos e muito bem equalizados.

The Higher o exemplo de uma banda que soube mudar de som, sem perder personalidade. E é algo que eu admiro tanto na banda, que soube se reinventar, fazendo música de qualidade e aproveitando a vida, como boas crias da Sin City.

http://www.myspace.com/thehigher

~ por Fábio Gianesi em setembro 16, 2009.

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