Entre a concepção e o funeral…

Ben Kenney, tocando com o Incubus. (http://www.myspace.com/benkenney)

Ben Kenney, tocando com o Incubus. (© Brantey Futierrez, http://www.myspace.com/benkenney)

Costumo sempre procurar a razão pela qual algo aconteça. Uma explicação para algum fenômeno específico. Recentemente, me peguei pensando em um artista por quem tenho grande admiração: Ben Kenney.

Ele ganhou reconhecimento na função de baixista do Incubus (como você, que chegou aqui já pôde descobrir que é minha banda favorita), que exerce desde 2003. A notoriedade de Ben no meio musical, contudo, começou antes do Incubus. Antes de se juntar à banda Californiana, ele atuava como guitarrista de turnê da banda de hip-hop The Roots.

Para começar, é importante notar que Ben é um instrumentista extremamente habilidoso. Além do baixo e da guitarra, Ben também toca bateria e, durante a turnê de divulgação do álbum A Crow Left of the Murder... (2004) do Incubus, Ben, José Pasillas (baterista) e Brandon Boyd (vocalista e percussionista) realizavam um solo triplo de bateria e percussão.

A capacidade de improvisação do Ben também é algo que me chama muita atenção. Linhas de baixo acabam se tornando verdadeiras frases e passam a complementar as músicas do Incubus. Um caso bastante interessante é a canção Stellar (do álbum Make Yourself, de 1999).

Além de seu trabalho com o Incubus, a partir de 2004, Ben lançou três álbuns solo (no sentido mais literal da palavra). Além de gravar todos os instrumentos, ele produz e os lança em seu selo Getto Crush Industries. Os álbuns são 26 (2004), Maduro (2006) e Distance And Comfort (2008), estes são alguns destaques:

Capa do primeiro álbum solo do artista. (Divulgação)

26 (2004). Divulgação

26 (2004)
Breathe – um ótimo solo de guitarra acompanha esta letra que fala sobre a criação de uma co-dependência em um relacionamento e a falta que isso faz para uma das partes, depois que o “cordão é cortado”.

Hoopdie – “hoopdie” é uma expressão em inglês que equivale à “lata-velha”, em português. Ben usa dessa metáfora para falar sobre lidar com dificuldades de uma forma geral em nossas vidas. A música tem uma batida alegre, parecendo até irônica, quando ele fala frases como: “My whole world is held together with duct tape/all seems fine but deep inside i’m gasping for air”.

Maduro (2006). Divulgação

Maduro (2006). Divulgação

Maduro (2006)
Wrong – a primeira música do álbum é bastante enérgica e contesta atitudes de “sabe-tudo” de muitas pessoas. Além de contar com um ótimo riff, com guitarras dobradas, a canção possui uma letra recheada de ironias, como a (épica) frase “with out all due respect, theres a 3-headed monster that’s eating your children alive!”.

Conception and the Funeral – uma linha de baixo forte, com viradas e licks criam a base para uma guitarra leve e simples. A letra trata de expectativas de toda uma vida, “I’ve always dreamt of something beautiful/Between conception and the funeral/and now/I’ll wait if that’s where I’ll find it”.

The Ether – a música começa em uma levada bastante acelerada e apresenta uma pessoa que deve lidar com as conseqüências que seus atos teve a outros. Uma parte que me marca bastante é quando ele se dá conta de que pode fazer o mal a alguém: “I’ve had some room to breathe and time to understand/I can’t hold your fragile heart when I have clumsy hands”.

Distance and Comfort (2008). Divulgação

Distance and Comfort (2008). Divulgação

Distance and Comfort (2008)
Not Today – mais uma vez, ele começa o álbum com bastante força. Além de apresentar um bom riff dobrando a guitarra e o baixo, a música tem um ótimo solo, no qual Ben dobra duas guitarras (algo que ele usou bastante neste álbum). A letra, aparentemente, fala sobre uma tomada de posição dentro de um relacionamento.

Comfort – esta música possui diversas camadas sonoras, sendo diferentes sons de guitarras, teclados ou mesmo vozes, sobre uma batida em slow tempo, que constroem um clima de conforto (como o próprio nome já diz) e lideram o final do álbum de uma forma bastante natural. A letra fala do que é ter a pessoa amada e como Ben afirma não querer perder esse conforto de forma alguma.

Eulogy – o que mais me chama atenção nesta música são as levadas de bateria que Ben faz. Ela também tem um belo solo de guitarra no qual, ao invés de explorar velocidade, Ben cria um suposto diálogo entre “duas guitarras” usando delay (efeito de repetição da nota, para os leigos). A letra parece uma declaração a alguém, em que ele fala que “Know you’ve always held my heart/Even if we’re torn apart”, acrescentando que ele quer ser lembrado como uma pessoa insubstituível.

Ben gravou um vídeo em que ele toca bateria, baixo, guitarra e canta Eulogy, para divulgar a turnê que ele fez em 2008.

Ao pensar o porquê de gostar muito das músicas do Ben Kenney, retomando o comentário do início do post, eu esbarrei em duas questões principais. Uma, sem dúvida alguma, é o talento e a qualidade técnica que ele apresenta. Mas, isso não seria o suficiente para fazer com que ele prduzisse tanto material e com tamanha qualidade. Mas, procurando um pouco mais sobre quem é Ben Kenney, descobre-se que ele é uma pessoa simples e pouco expansiva (muitos fãs de Incubus já comentaram que ele não gosta de tirar fotos e que, apesar de ser extremamente simpático com os fãs, parece ser muito tímido). Dessa forma, a música para ser o “porto seguro” dele, o lugar em que ele se encontra confortável.

O outro grande trunfo de seu trabalho solo, pelo que vejo, é que ele totalmente desprendido de qualquer coisa. Ben define seu trabalho da seguinte forma:

When time permits I record my own music. I try to make records that I would love to own if they were made by someone else. I hope you dig it.

Ao meu ver, a combinação do grande músico que é Ben Kenney, com essa simples filosofia de fazer uma música que ele goste (que é também o que o próprio Incubus segue, ao fazer seus álbuns) resulta num trabalho bastante sincero e, lógico, de alta qualidade. Talvez, seja essa a beleza que Ben procura “entre a concepção e o funeral”, o que faça sentido em sua vida.

http://www.myspace.com/benkenney
http://www.benkenney.com/

~ por Fábio Gianesi em setembro 2, 2009.

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